quinta-feira, 28 de maio de 2015

Mercurey Domaine A. et P. de Villaine no Bistrô 558

Salut les amis!
Como promessa é dívida, voltei assim que pude no Bistrô 558 com um belo vinho tinto para provar um prato que me chamou à atenção na primeira vez que estive lá: o carré de cordeiro sobre risoto de cogumelos. E como reza meu mantra (grandes vinhos para grandes ocasiões), escolhi um Mercurey "Les Montots" do Domaine A. et P. de Villaine, safra 2007. E agora estou aqui contando para vocês como foi...
Mercurey é uma apelação de vinhos localizada ao redor de uma comuna justo ao sul da Côte d'Or, na Bourgogne, já na chamada "Côte Chalonnaise". Quem quiser conhecer um pouquinho mais da Bourgogne pode ler alguns posts mais antigos, sobre as confusões que essa maravilhosa região vinícola nos aflige e sobre minha visitas à Beaune e adjacências.


O Domaine A. et P. de Villaine é de propriedade do monsieur Albert de Villaine e de sua esposa, a norte-americana Pamela. Albert é ninguém menos que o controlador do DRC - o Domaine de la Romanée Conti - proprietário do mais prestigiado entre os mais prestigiados vinhedos do mundo - La Romanée Conti, no coração da Côte d'Or. Você pode ler sobre minha visita a esse vinhedo aqui.
Pois bem, M. de Villaine mora mais ao sul, na Côte Chalonnaise, em um vilarejo chamado Bouzeron, onde inclusive ele é o maire (prefeito) da localidade. Ali ele cultiva a aligoté, uma uva branca meio marginal na Bourgogne, que gera vinhos frescos e muitas vezes insossos, que durante muito tempo só serviram mesmo para a elaboração da famosa mostarda regional. Nem preciso dizer que o aligoté do Domaine de Villaine é diferente disso, um vinho que também já tive a oportunidade de degustar aqui no Brasil, muito mais encorpado e aromático que seus pares mais comuns, devido ao grandíssimo savoir-faire que seu proprietário aplica na condução de seus vinhedos e na elaboração dos vinhos. Esse vinho (M. Albert, com toda sua influência, "criou" a AOC Bouzeron, exclusiva para aligoté), me despertou a curiosidade de conhecer um tinto elaborado por M. de Villaine e, enquanto o dinheiro para degustar um autêntico DRC não chega (rsrs), a gente vai se divertindo com os alternativos... esse Mercurey eu encontrei outro dia meio esquecido numa prateleira em uma loja da Decanter, e resolvi comprar para beber no meu aniversário.

E a escolha do restaurante foi fácil, pois das vezes anteriores que estivemos lá ficamos impressionados com a qualidade dos pratos, em um ambiente agradabilíssimo onde sempre fomos muito bem recebidos com nossos vinhos (embora eles possuam uma carta de vinhos sucinta mas bem adaptada à proposta do bistrô, inclusive com a opção de vinho em taça, eles cobram um preço muito justo pela rolha, ao contrário de outros restaurantes da província andreense...)

Este vinho, de uma bela e translúcida cor rubi, com reflexos granada se graduando até chegar a um acobreado nas bordas da taça, já demonstrava visualmente um bom grau de amadurecimento, com muitas lágrimas densas e transparentes escorrendo com preguiça pelas paredes do copo. O primeiro nariz do vinho tinha um caráter animal, de couro, carne, estábulo, sous bois. Com algum tempo na taça abriu aromas de rosa e morango, um toque de violeta, pimenta preta. Na boca apresenta corpo médio e acidez ainda bem pronunciada, com taninos presentes mas bem finos e elegantes. O final é longo e poderoso, quente, com um toque especiado. 
Um excelente vinho, que casou bem com a entrada, um steak tartare super-bem temperado (aqui a mostarda Dijon do steak foi o principal elo de ligação com o tinto), mas casou melhor ainda com o prato principal, o carré ao molho de vinho sobre risoto de cogumelos. A carne tenra, no ponto ideal, super-macia e suculenta com os taninos do vinho e a cremosidade e o cogumelo do risoto harmonizaram como poucas vezes com as características terrosas, mais rústicas do vinho.
Um grande vinho, um grande jantar, uma grande noite. Parabéns para mim, que completei mais um ano de vida, em grande estilo. Parabéns ao chef, que vem conduzindo muito bem a cozinha, e parabéns aos proprietários, que vem tocando muito bem e com muita simpatia esse aconchegante bistrô. Tudo de bom para francófilos como eu e a patroa...
Au revoir! Santé!


2 comentários:

  1. Como sempre boas dicas, recheadas de paixão.
    Abraço

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  2. Como sempre boas dicas, recheadas de paixão.
    Abraço

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